Yule Solstício de Inverno

Olá, buscadoras!

E chegou Yule, a celebração do Solstício de Inverno. Nesta noite longa, em que a escuridão parece eterna, mergulhamos em nossa noite interior para encontrarmos o que muitas vezes evitamos: nossa própria sombra. Uma oportunidade que a espiral do tempo nos dá para nos desconectarmos do que é visível aos olhos do mundo moderno e abraçarmos o que é sentido no âmago do ser.

Quantas vezes na vida já caminhamos em nossos próprios invernos? Quantas vezes o silêncio pareceu definitivo? Quantas mortes internas já vivenciamos em segredo, sem velórios ou despedidas? Yule nos lembra que essas mortes são sagradas. São as noites da alma. São portais iniciáticos que nos permitem deixar uma condição que já não nos servia mais e seguir para uma nova realidade de crescimento e amadurecimento, um novo nível de consciência.

Como Bruxas que somos, não tememos descer à caverna da alma, muito pelo contrário, aceitamos de peito aberto este convite cíclico da Natureza, pois sabemos que morte e renascimento, silêncio e canção, sombra e luz são sucessões e faces do grande mistério que é a vida. É no silêncio e na escuridão que a semente da renovação germina no útero da nossa grande Mãe Terra, e é neste momento sagrado que a vida começa a renascer.
E com a vida que brota, peço que, além das velas no altar, acendam também a chama interna. Aquela que sobrevive aos ventos do mundo, às perdas, aos silêncios. Peço que se sentem diante de si mesmas e perguntem, com a sinceridade das nossas ancestrais:
O que em mim precisa morrer para que eu floresça com verdade? Quais ilusões, medos ou hábitos envelhecidos clamo ao fogo para transformar em cinzas férteis? Onde está a minha própria luz, aquela que me faz brilhar de forma única e me distingue das demais?

Acendam seus Caldeirões. Decorem seus altares com nozes, galhos, fitas vermelhas, verdes e brancas. Incensos de cedro, louro ou alecrim. Dancem, se o corpo pedir. Silenciem, se o espírito assim desejar.

Lembrem-se de que somos espelhos da Terra. E, se ela se recolhe, também devemos nos recolher. Se ela descansa, também temos o direito de descansar. O mundo exige pressa, produção, performance — mas Yule sussurra: pausa, filha. Respira. Confia. A luz vai voltar. E voltará. Não porque forçamos, mas porque tudo na Natureza obedece ao ciclo eterno. Assim como a noite, a dor e a dúvida, também passarão.

O retorno da luz nunca falha. Ela sempre vem. E, quando vier, que ela encontre em vocês um terreno fértil — não um coração esgotado, mas um espírito que soube esperar, sonhar e confiar.

Feliz Yule!